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sábado, 28 de maio de 2016
Diz-lhe que nem pense que te merece mas que queres ser dela para sempre. Que tudo o que é recomendável não a recomenda, que queres continuar a tua vida ao lado de quem nem sabes se te ama, não faz sentido. Para ver se a partes em ti, para ver se te libertas desta prisão de a gostar tanto assim, de a quereres tanto assim, de seres tão escravo assim de quem se calhar nem como escravo te quer. Diz-lhe que tens saudades até da sua má disposição, das lágrimas furiosas sempre que algo não corria como queria, da forma quase infantil, ou mesmo infantil, como amuava durante horas só porque no supermercado não havia o seu chocolate favorito. Diz-lhe que ainda acordas a meio da noite para lhe puxar o cobertor para cima, que ainda a procuras ao teu lado para tentar adormecer, que o frio da cama sem ela não tem palavras que o definam e muito menos cobertores que o aqueçam. Diz-lhe que és dela para sempre. Que há-de haver tantas vidas em vocês, tantos homens e tantas mulheres, e que mesmo assim será ela, sempre ela, a mais inesgotável ela, a mais desaconselhável ela, a mulher de ti. Que, se tivesses de escolher um lugar para morrer, escolherias o fundo dos seus braços. Diz-lhe que a amas, por favor. Antes de mais nada diz-lhe que a amas. E diz-lhe também que já não voltas.
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