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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Estava tudo bem. Não havia nada melhor do que sentir-te comigo. Ter-te do meu lado, mesmo não te tendo. Os teus abraços, aquele teu sorriso envergonhado e a tua timidez. Os teus beijos, que me viciavam em ti. Todos os mimos que tu me davas, desse teu jeito. As tuas manias. Cada palavra tua, com essa voz doce. Todos os teus defeitos. Até mesmo aquele teu feitio ao acordar ou quando algo te corria mal. Aquela forma como me tratavas e me fazias sentir única. Era perfeito. Nunca tinha aceite algo assim. Fazia-me bem. Adorava esses teus ciúmes, aquele teu medo de me perder ou magoar. Gostava quando sentia que te preocupavas, que era importante. Que parte de mim estava contigo. Ligavas-me, sem motivo. Falávamos horas sem nos cansarmos. Contávamos tudo e havia sempre mais e mais para conversar. Confidenciámos momentos, histórias. Tínhamos aquelas chatices de cinco minutos. Pareciam ser eternas e nunca mais passar. Amuávamos. Jogávamos ao ‘quem quer ser mais frio’ e perdíamos sempre. Acordavas-me com a tua voz ou simplesmente com uma daquelas mensagens que me deixavam a pensar em ti o resto do dia... Aqueles dias em que eu achava que estava tudo para acabar e tu vinhas com um ‘tenho saudades tuas’. Surpreendias-me todos os dias e fazias com que nunca me cansasse de ti. Estavas lá, simplesmente. Essa teimosia, de alguém que quer sempre ter razão. Com o teu ar mais sério, a tua voz mais ríspida. Assustavas-me. Mas, no fim estava tudo bem. Sonhávamos de maneiras diferentes com o mesmo. Tudo foi mudando. Senti-te a afastar cada vez mais. Estavas ainda mais longe do que o habitual. Tantas perguntas sem resposta. Se até aí ninguém nos conseguia separar, porquê isto agora? Como é que alguém muda tudo assim, de repente, sem explicação? Tu não és assim. Lembra-te do que aconteceu para chegarmos onde estávamos. De tudo o que passámos sem desistir. De todo o esforço e dedicação. Ninguém faz isto em vão. Faço tudo. Tudo e mais alguma coisa para que voltes. Ninguém pode mudar o passado, mas podemos reconstruir tudo agora. Tudo naturalmente, com calma. Ainda te quero mandar mensagens com um ‘bom dia amor’. Quero poder dizer-te que gosto de ti mais do que devia e que te quero mais do que preciso. Quero que me respondas, que me contes como foi o teu dia, se dormiste bem e se tiveste algum pesadelo. Quero agarrar-me a ti de tal modo que fiques e não vás embora. Poder dar-te a mão com motivo e sem motivo. Quero ouvir-te. Ouvir a tua voz todos os dias, todos os teus segredos, todos os teus medos e todos os teus sonhos. Quero ouvir o teu silêncio. Quero cuidar de ti em todo o lado, por todas as razões, apenas por querer. Quero que sejas feliz como és. Quero que chores porque não és forte o tempo todo. Quero que estejas bem. Quero que me queiras. Quero acordar-te com mimos, beijos e fazer-te sentir a melhor pessoa. A única pessoa para mim. Eu quero tudo isto, eu quero muito mais. E tu, queres? Achas que vais se feliz? Será que está na altura de seguirmos caminhos diferentes? Responde-me. Explica-me. Não guardes só para ti. Estou aqui para isso, para ouvir todos os teus silêncios. Olha-me nos olhos e diz-me o que sentes. Vê se tens coragem de me dizer o que estás a fazer comigo neste momento. Magoa-me quando estiver contigo, vê se és capaz disso. Achas mesmo que consegues? Pensa. Reflete sobre tudo isto. Se é tempo que queres, eu dou-te esse mesmo tempo. Dou-te, também, todo o espaço que precisares. E no fim, achas que ainda vale a pena?

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Anjo da Guarda

"Chegou a hora de ir dormir. Já depois de tudo pronto para o dia seguinte, disse boa noite à família e fui para o quarto. Deitei-me. Estava demasiado cansada para preparar a roupa e sem pensar duas vezes, meti-me nos lençóis. O sono tinha desaparecido. Como é possível? Estava mesmo estafada. Que estranho. Tinha imensas dores no corpo. Agarrei no telemóvel e nos fones. Sabia que a música iria resolver tudo. E assim foi. O sono regressou. Estava meio inconsciente. Fechei os olhos e aí começou tudo. Não sei onde teve inicio nem sei muito bem se me lembro de tudo. Tu vieste. Não sei como, abriste a porta do meu quarto, sentaste-te na minha cama e acordaste-me. Estavas vestida de branco. Brilhavas como o sol no verão. Estavas tão linda. Os teus olhos reluziam numa de pedir auxilio. Estavas a sorrir. Com aquele sorriso encantador que tens. Tentei falar-te e não consegui. Senti-me presa, sufocada, sem possibilidade de me expressar. Estava presa a nada. As lágrimas vieram-me aos olhos. Tu estavas a dizer-me qualquer coisa e eu estúpida e inútil não entendia. Agarraste-me a mão. Daquela maneira delicada e suave que só tu sabes usar. Por momentos senti-me protegida. Tu estavas ali, sentada a olhar para mim, a agarrar-me a mão. Que felicidade. No entanto, a tua aflição também me afligia a mim. Então aí tiraste-me os lençóis e puxaste-me. Fiz uma força tremenda para não me levares. Estava com medo. Mas também não te queria mal. Acabei por ceder. Fomos devagar para que ninguém acordasse. Vieste o caminho todo a sorrir para mim. É encantadora a tua forma de me conquistar. Chegámos à porta da entrada. O gato encostou-se a mim, fixou-me o olhar. Não ligámos. Abriste a porta e pediste-me para ir contigo. Chegámos à rua. Subiste e cada vez a força das nossas mãos agarradas era menor. Afinal, esse branco em ti e a tua forma brilhante não eram à toa. Tu és um anjo. És o meu anjo da guarda. Ainda não descobri do que me querias proteger. Talvez ainda não esteja na hora de nos encontrarmos da mesma maneira. Mas até lá, volta. Vem ter comigo e ajuda-me. Preciso de ti. Preciso urgentemente."