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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Mas como dizem: Quem ama não esquece! - e eu concordo totalmente com isso.
Tens tendência a encontrar alguém especial nos momentos mais simples da vida. Alguém que muda a tua vida simplesmente por estar nela. Alguém que te faz rir até não aguentares mais. Alguém que te faz acreditar que realmente há algo bom no mundo. Alguém que te convence que lá há uma porta destrancada à espera que a abras.  Alguém que te puxa para cima, mesmo quando o mundo parece escuro e vazio. E naquelas horas mais difíceis, onde assombra a confusão de uma mente perdida, não te vai deixar sozinha. E isto começa a ser uma surpresa.   

sábado, 28 de maio de 2016

Diz-lhe que nem pense que te merece mas que queres ser dela para sempre. Que tudo o que é recomendável não a recomenda, que queres continuar a tua vida ao lado de quem nem sabes se te ama, não faz sentido. Para ver se a partes em ti, para ver se te libertas desta prisão de a gostar tanto assim, de a quereres tanto assim, de seres tão escravo assim de quem se calhar nem como escravo te quer. Diz-lhe que tens saudades até da sua má disposição, das lágrimas furiosas sempre que algo não corria como queria, da forma quase infantil, ou mesmo infantil, como amuava durante horas só porque no supermercado não havia o seu chocolate favorito. Diz-lhe que ainda acordas a meio da noite para lhe puxar o cobertor para cima, que ainda a procuras ao teu lado para tentar adormecer, que o frio da cama sem ela não tem palavras que o definam e muito menos cobertores que o aqueçam. Diz-lhe que és dela para sempre. Que há-de haver tantas vidas em vocês, tantos homens e tantas mulheres, e que mesmo assim será ela, sempre ela, a mais inesgotável ela, a mais desaconselhável ela, a mulher de ti. Que, se tivesses de escolher um lugar para morrer, escolherias o fundo dos seus braços. Diz-lhe que a amas, por favor. Antes de mais nada diz-lhe que a amas. E diz-lhe também que já não voltas.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Hoje o dia sorriu para ti. Nota-se como estás empenhada em ultrapassar isto. Já voltaste à tua rotina. Ainda está escuro, mas não tão escuro como ontem. As pessoas conversam contigo. Talvez por mera simpatia. Tu sorris. Demonstras uma felicidade enorme. Estás a enganar-te. Sentes-te mal com isso. Continuas normalmente. Parece estar tudo normal. As aulas estão na mesma: secantes. Os stores continuam chatos. Toca para o intervalo. Vês todos a divertirem-se. Sentas-te no teu canto. Voltas a ter uma recaída. Pedes auxilo. Incrível como não é a quem está mais perto. Ligas para o alguém. Foste ignorada. Desligas. Isso fez com que te lembres que esse alguém tem uma vida. Sentes o vazio a voltar. É um vazio que te traz arrepios. Aí tu não esqueces: a vida do outro alguém continua, a tua é que pára.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Mais um dia. O fundo parece cada vez mais perto. Está escuro aqui dentro. Lá fora vês cores, está sol e as pessoas passeiam. Por fora está tudo bem. De fora todos vêm a felicidade e o bem-estar. Mas e cá dentro? Continua escuro. Sem luz. O vazio aumenta e tudo parece fugir. Tinhas a sensação de que seguravas o mundo. De repente ele caiu. As tuas mãos já não têm força para o segurar mais. Mas tu tentas alcançá-lo. Não desistes. Que corajosa. Só que ninguém repara. E as horas passam. Tu lutas. Choras. Gritas. Sorris. Escondes o teu corpo do mundo. Sonhas. Tens medos. Tu és um ser humano. Mas continuam sem reparar nisso. O desprezo aumenta. O sufoco é maior. A vida parece estar a parar. Olhas em volta. No meio do escuro encontras alguém a sorrir. É lindo. A luz está perto. Achas que estás a sonhar. Ouves a voz desse alguém. Dás-lhe a mão com o medo que corre em ti. Sentes a esperança que ele te transmite. Recuas. Esperas que seja esse alguém a avançar. Ele avança. Tu sorris. De repente esse sorriso apaga-se do teu rosto. Esse alguém quer ajudar-te, mas primeiro tem uma vida para cuidar. Tu és só uma opção. Ficas sozinha novamente. Esperas. O teu corpo está fraco. A tua mente alimenta-se do teu passado e dos teus medos. Estás assustada. Já não tens mais forças. Cais. Estás perdida no meio do vazio. E o vazio é tão grande! Fechas os olhos. Ainda te resta esperança. A esperança de quem está vivo. A esperança de quem quer ultrapassar mais um obstáculo. Eu acredito em ti. Acredita também. Estás sozinha. O mundo é demasiado egoísta para se preocupar. O mundo somos nós. Como nós somos tão cruéis. Ninguém é mais forte que tu. Olha para ti. Olha para tudo o que tens passado e como ainda aguentas. Valoriza-te. És o que ainda ninguém foi. Viveste como ninguém viveu. És tu. E nunca te esqueças: A vida só é valiosa porque acaba.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Depressão

A grande questão é: o que é a depressão?
Era muito fácil, no início, mas agora parece a coisa mais difícil do mundo. Era simples, era prático, parecia ser simplesmente uma extensão da tua alma, leve e no qual tinhas o total controlo. Tinhas tudo nas mãos e, do nada, tudo se escapou de ti. Tentas de novo, mas agora parece tão complicado! Tudo te tira a concentração. Nada se encaixa. Sentes-te vazia. Tudo se perdeu. Entras num caminho apertado. Vais caminhando e ao olhar para trás só vês uma escuridão imensa. Em volta sentes o vazio de quem está a desesperar. Agarram-te com a força de quem te quer ver partir. Prendem-te ao vazio que o ser humano pode atingir. Desprezam-te. Mas tu continuas. Sozinha. Cada vez mais o silêncio se instala. Prossegues o teu caminho. Que aperto! Realmente ninguém consegue imaginar a quantidade de nadas que um vazio tem. Ninguém imagina a quantidade de pensamentos que correm no teu corpo, mas que, algumas vezes, se perdem. Ninguém sabe, mas todos falam. E tu ouves. Ouves vozes estranhas com frases feitas. Ouves tudo aquilo que não queres ouvir. E mesmo assim, continuas. Continuas este caminho, onde te empurram. Fazem-te cair e ainda acham piada. E tu, tu levantas-te meio envergonhada. Carregas os teus medos e segues em frente. Mais uma vez. Não consegues ver o fim e já estás neste caminho há tanto tempo. Apontam-te o dedo. Julgam-te. Fazem-te sentir a pior pessoa. Desvalorizam os teus problemas. Passam-te imensas perguntas, mas as respostas parecem desaparecer no vazio. Tentas encontrá-las, só que acabas por perder-te também. Já estás longe. Olhas para trás com esperança de reviver o passado. Ficas com saudades. Sentes essas saudades a percorrer a tua cara. Respiras fundo. Pensas no que te está a acontecer agora, no porquê de acontecer. O silêncio cai. Soltas um grito. Estás irritada. Sentes o mundo a percorrer a tua cara. Olhas em frente. Consegues ver uma luz. Está bem ao fundo. À volta estão mais caminhos. São escuros, vazios e sem uma ponta de esperança. Mas ninguém te ajuda. Atiram-te para o caminho mais escuro. Ficas sem forças para voltar. Deixas de ver a luz, a pouca que resta. Há uma força maior que tu. Já estás tão cansada. Só pedes para tudo acabar. Já não há retorno. Agora nada nem ninguém te pode ajudar. És tu contra todos os medos. No entretanto, os sonhos escaparam-se. Estás fraca e com pouca esperança. Fechas os olhos. Quando acordas, olhas em volta. Sorris ao mundo. Enganas os ingénuos. Continuas caminho.