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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Depressão

A grande questão é: o que é a depressão?
Era muito fácil, no início, mas agora parece a coisa mais difícil do mundo. Era simples, era prático, parecia ser simplesmente uma extensão da tua alma, leve e no qual tinhas o total controlo. Tinhas tudo nas mãos e, do nada, tudo se escapou de ti. Tentas de novo, mas agora parece tão complicado! Tudo te tira a concentração. Nada se encaixa. Sentes-te vazia. Tudo se perdeu. Entras num caminho apertado. Vais caminhando e ao olhar para trás só vês uma escuridão imensa. Em volta sentes o vazio de quem está a desesperar. Agarram-te com a força de quem te quer ver partir. Prendem-te ao vazio que o ser humano pode atingir. Desprezam-te. Mas tu continuas. Sozinha. Cada vez mais o silêncio se instala. Prossegues o teu caminho. Que aperto! Realmente ninguém consegue imaginar a quantidade de nadas que um vazio tem. Ninguém imagina a quantidade de pensamentos que correm no teu corpo, mas que, algumas vezes, se perdem. Ninguém sabe, mas todos falam. E tu ouves. Ouves vozes estranhas com frases feitas. Ouves tudo aquilo que não queres ouvir. E mesmo assim, continuas. Continuas este caminho, onde te empurram. Fazem-te cair e ainda acham piada. E tu, tu levantas-te meio envergonhada. Carregas os teus medos e segues em frente. Mais uma vez. Não consegues ver o fim e já estás neste caminho há tanto tempo. Apontam-te o dedo. Julgam-te. Fazem-te sentir a pior pessoa. Desvalorizam os teus problemas. Passam-te imensas perguntas, mas as respostas parecem desaparecer no vazio. Tentas encontrá-las, só que acabas por perder-te também. Já estás longe. Olhas para trás com esperança de reviver o passado. Ficas com saudades. Sentes essas saudades a percorrer a tua cara. Respiras fundo. Pensas no que te está a acontecer agora, no porquê de acontecer. O silêncio cai. Soltas um grito. Estás irritada. Sentes o mundo a percorrer a tua cara. Olhas em frente. Consegues ver uma luz. Está bem ao fundo. À volta estão mais caminhos. São escuros, vazios e sem uma ponta de esperança. Mas ninguém te ajuda. Atiram-te para o caminho mais escuro. Ficas sem forças para voltar. Deixas de ver a luz, a pouca que resta. Há uma força maior que tu. Já estás tão cansada. Só pedes para tudo acabar. Já não há retorno. Agora nada nem ninguém te pode ajudar. És tu contra todos os medos. No entretanto, os sonhos escaparam-se. Estás fraca e com pouca esperança. Fechas os olhos. Quando acordas, olhas em volta. Sorris ao mundo. Enganas os ingénuos. Continuas caminho.








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