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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Até um dia, avó.

Nove anos. Parece muito. Parece pouco. Nem sei. O suficiente para tudo mudar. Para que essas tais saudades que alguém sente e não quer sentir, venham. Venham para ficar. Instaladas como se tudo fosse delas. Não entendo. Questiono-me todos os dias. 'Porquê a mim?'. Pergunta muito frequente nos nossos dias. Não tem resposta. Quero isolar-me e pensar numa solução. Em algo que poderia ter pensado, para não passar isto. Estupidez. É o ciclo da vida. Mesmo assim, a culpa é enorme. Culpa de quê? Não sei, é apenas isso, culpa. Poderia ter estado mais presente ou mais ausente, a culpa mantinha-se. Idiotice, é o que tenho para descrever estes meus pensamentos. Tornei-me em quê mesmo? Sou fria, perdi muito do que tinha. Vivo tudo de outra forma. Encaro as coisas de outra maneira. Confuso. Ninguém vai entender. A verdade, é que mudei por ti. Grande parte de mim foi, quando partiste. Um amor incondicional. Amor de mãe, de conselheira, de alguém que posso contar sempre. Falar de ti, deixa-me orgulhosa. Ultrapassei isto tudo. Mas deixa-me em lágrimas e desfeita por dentro. Porquê tu? Eu preciso tanto que estejas aqui comigo. Que vejas como estou, que me protejas. Que eu faça o mesmo por ti. Vens nas noite mais complicadas, mais tristes. Fico contente. Saber que não me abandonas, é ótimo. Na partida, é horrível. Nem um abraço, nem um 'até já'. Quero falar tudo e não sai nada. É uma sensação de desespero muitas vezes. Estaria melhor do teu lado. Agora, realizo um grande sonho. Mas não tão grande como o de te puder ter comigo. Fá-lo por ti. Cada momento, cada jogada, cada golo, cada vitória e cada derrota, é tua. Maior pilar que tenho. Devo-te aquilo que sou hoje e na pessoa que me tornei. Posso não ser a melhor, mas é como tudo. Só aceita quem quer. Não te quero desiludir. É impossível não o fazer. Os meus erros são muitos, mas eu aprendo. Guardo tudo, para que nunca me esqueça como deve ser feito. Quero que te orgulhes de mim. Não me quero sobrepor a ninguém. Quero ser apenas eu. Ensinaste-me muito! Fica muito, ainda, por dizer. Muito por explicar. Falta algo. É esse algo que me inquieta. Faltas-me tu. Não te irei conseguir agradecer nada disto! Quero voltar a encontrar-te. Seja apenas num sonho, já fico feliz. Volta cá, dá-me mais uns minutos da tua atenção. Diz-me como estás. O que sentes. Preciso de saber. Tira-me a angústia de procurar sem encontrar respostas. Acredito num reencontro. Acredito em ti. Iremos estar juntas, não importa quanto tempo demorará. Sempre e em toda a parte, estou contigo. Amor eterno! Avó*

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